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sábado, 26 de março de 2011

Almaz - Música brasileira tipo exportação

Embora muitas pessoas na platéia estivessem gritando “Burguesinha!! Burguesinha!!”, vou logo avisando: Não, ela não vem. Foi barrada na entrada do Citibank Hall, nesta última sexta-feira.
O Almaz se apresentou pela primeira vez em São Paulo, com um show repleto de adjetivos superlativados, que não cairia bem nessa construção de texto, se eu ficasse preenchendo cada frase com belíssimo, magnificentíssimo, grandíssimo e por aí vai.  O palco estava devidamente preparado para receber os maiores músicos do Brasil, com uma iluminação impecável de Franja (cá pra nós, um dos melhores iluminadores que já vi). Em ação estava o time que até nome de craque tem na escalação, composto Seu Jorge, Pupilo, Dengue, Da Lua e Lúcio Maia (Nação Zumbi, Pernambuco, Brasil, como Jorge apresentava).
O show começou com uma introdução grandiosa de Lúcio Maia na música “Errare Humano Est” (Jorge Ben), até que aos poucos foram entrando em campo Dengue, Pupilo e Da Lua. Para completar, Jorge, com uma capacidade única de dominar o palco, (en)cantou com aquela voz forte e leve ao mesmo tempo. Seguido por “Saudosa Bahia” (Noriel Vilela), “Cirandar” (Martinho da Vila) e “Carolina” (Seu Jorge), essas canções ganharam outra vida ao vivo, principalmente a última citada, com um arranjo marcante e maduro.
Formado em meados de 2008 para 2009, o Almaz surgiu a partir de um processo de criação da trilha sonora do longa “Linha de Passe”, do Walter Salles. Originalmente, formado com Antonio Pinto, eles trabalharam em cima de 18 canções, para apenas selecionarem 12 para entrar no disco. Este, vendido inicialmente nos Estados Unidos, Europa, Oceania e Ásia, teve uma repercussão enorme fora do Brasil para depois entrar aqui. É aquela velha conversinha de só valorizar o que vem de fora, enquanto a real musicalidade de riquezas múltiplas vem de origem brasileira. Fazer o que, né?  
Com isso, para apresentar “Cristina” (Tim Maia), Jorge convidou ao palco o próprio Antonio, que chegou a participar da primeira turnê do Almaz nos Estados Unidos, arrebentando na vigorosidade do contra baixo. Antes de apresentar “Every Body Loves the Sunshine” (Roy Ayers), que dar título ao disco, Jorge comentou da possibilidade de dividir o palco com o Roy no Brasil, no festival Black to Black, em Setembro. Essa canção ganha uma versão tão boa quanto a original, porém muito mais envolvente.
Um dos pontos mais altos do show começa na sequência de “Pai João” (Tribo Massahí), com uma percussão marcante de Da Lua, transformando a música no hit do Almaz. Em “Tempo de Amor” (Vinícius de Moraes e Baden Powell), tenho certeza que os compositores deste afro-samba incrível, ficaram felizes com essa versão tão intensa que foi apresentada. “Tive Razão” (Seu Jorge) foi emocionante. A música começou com um arranjo meio dub, meio reggae e foi cantada totalmente pelo público. A felicidade era vista tanto no palco, quanto na platéia. Assim como em “Rock With You” (Michael Jackson), que tinha a resposta do “All night” vinda também do público. O bloco de músicas mais fortes e emocionantes do show!
O fim seguiu com direito a versão de música de David Bowie e riffs pesados do Lúcio na introdução de “Mais Que Nada” (Jorge Ben), até que Jorge entrou no palco e cantou a música -  também carregada do coro da platéia. Ao apresentar a banda, a vibração era tão grande, que a vontade de gritar “Eu vim com a Nação Zumbi!” não faltou. 
A grandiosa apresentação teve um bis mais que especial. A platéia gritava para a volta dos meninos ao palco. “Xica da Silva” (Jorge Ben) foi divertidíssima com Jorge enaltecendo o “Rei Luis” Pupilo, depois veio “Juízo Final” (Nelson Cavaquinho) que ao vivo se tornou mais emocionante do que no disco. Fim? Não! Como disse Lúcio: “Toda primeira vez merece um carinho!”. E lá foi, mais uma vez, “Pai João”, fechando a noite com classe, muita energia e a certeza de que mais nunca o palco do Citibank Hall será o mesmo após este show.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Almaz (Preciosas e Finas)


Que os meninos da Nação Zumbi, com certeza, são uns monstros, todos já sabem. Que eles levam a banda principal com toda a energia dos incontáveis projetos paralelos, isso também já é fichinha. Jorge Du Peixe é o AUTONOMO, Lúcio Maia o Homem Binário - Mundialmente Anônimo, o Maquinado, Dengue é o Djeik Sandino dos Los Sebosos Postizos e Pupillo é o Poderoso Chefão da classe musical brasileira. Ah, sem esquecer do Sonantes, 3namassa, Desliga a Bomba e o Côco de Mazuca (de Da Lua e Toca Ogan). Pára por aí?  Não, não. Fora os que eu esqueci de citar ou desconheço (quem souber mais pode apresentar!), falo agora do Almaz, novo projeto paralelo das preciosidades Lúcio Maia, Pupillo, Antonio Pinto e Seu Jorge.
O grupo surgiu durante o processo de criação da trilha sonora do longa Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Antonio Pinto, um dos “almas boas”, já produziu diversas trilhas de filmes brasileiros e internacionais como Lula, o filho do Brasil (2010), Love in the Time of Cholera (2007) – indicado ao Globo de Ouro no mesmo ano, Nina (2004), Cidade de Deus (2002), Abril despedaçado (2001) e por aí vai. O Malungos da Nação Zumbi também já deram um pouquinho da sua identidade para longas-metragens como no Baile Perfumado (1997) - ainda com Chico Science vivo, Amarelo Manga (2003) e o último, Besouro (2009).
A junção com Seu Jorge foi de pura classe e requinte. Almaz, diamante em Russo, traz regravações bem pós-moderna de alguns clássicos de Jorge Ben (Errare Humano Est), Tim Maia (Cristina), Noriel Vilela (Saudosa Bahia), Kraftwerk (The Model), Altemar Dutra (Tudo Cabe Num Beijo), Nelson do Cavaquinho (Juízo Final), Michael Jackson (Rock With You), Martinho da Vila (Cirandar), Vinícius de Moraes e Baden Powell (Tempo de Amor), entre tantos outros.
Não existe nenhum disco original gravado, pois não há contrato com nenhuma gravadora no Brasil (por enquanto). Porém, existe um disco na internet com várias versões, que é só procurar e fazer o download para ouvir essa elegância do Almaz. O canal Multishow vai gravar um especial, mas ainda sem data marcada. A única certeza são os shows que vão acontecer no período de Julho e Agosto nos Estados Unidos.

Obs.: Ou você procura na internet essas pérolas ou vai ao show nas gringas ou espera qualquer notícia futura. É contigo, minha criança!

Segue aí um vídeo durante uma gravação de Pupillo, no Ambulante Studio.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Salve o Carnaval e a Torcida


“Eu Vi o Recife nas Asas da Madrugada.” E assim foi mais um Carnaval, mais uma quarta-feira ingrata se aproximou, dando termino à toda anarquia carnal. Festividade esperada durante todo o decorrer do ano por todo brasileiro e se tratando de um bom pernambucano, toda brincadeira termina em frevo, ciranda e maracatu.
A cidade treme desde dezembro. Prévias, blocos de rua, encontros de troças, fantasias saindo dos baús, confetes e serpentinas colorindo com alegria as almas perfumadas. Esse é o Carnaval de múltiplos adjetivos de Recife e que todo mês de fevereiro se encontra de braços abertos ao folião.
Neste ano um ritmo diferente dominou todos os pólos, pontes e ladeiras: a chuva! Ela veio com tudo para lavar as almas, esquentar os pensamentos ruins, e animar ou entristecer aqueles que ficaram amedrontados com a ornamentação do céu (diga-se de passagem os trovões e relâmpagos).
A abertura do Carnaval na sexta-feira foi encantadora. Naná Vasconcelos e as nações de maracatu, abriram a noite com a jovialidade erudita de Vitor Araújo e a eterna modernidade de Caetano Veloso. Sem lenço e sem documento, frevos de bloco se misturaram a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e logo depois o palco foi completado por Miucha com seu sorriso aconchegante. Mas o que fechou a noite e voou entre as cores das asas da nova américa, foi o projeto liderado por Ortinho, a Nave do Frevo, que junto a artistas como Lula Queiroga, Junio Barreto, Fábio Trummer, China, Silvério, Fred 04, Mônica Feijó e Isaar, transformaram as canções do homenageado Carlos Fernando em um tempo folião. Com uma releitura dos clássicos do “Asas da América”, eles apresentaram ao público o frevo que pode sim, ser ouvido e sentido de outra maneira além dos dias de do reinado de Momo, transformando o universo com o sopro da melodia mas característica e verdadeira de Pernambuco.
O sábado de Zé Pereira foi repleto de chuva e fez com que a estrutura e o som do palco principal do Marco Zero fosse abalada, chegado ao chegado ao cancelamento das apresentações de Elba Ramalho, Silvério com Fernanda Abreu e Antônio Carlos Nóbrega. Porém, a nova data para esses shows já foi remarcada (dia 13 de março, representando as festividades do aniversário de Olinda e Recife, no mesmo palco do Marco Zero).
Mas fica uma pergunta no ar: Será que realmente o tempo que foi o causador do desastre ou o projeto de palco não foi bem planejado? Os gastos da construção foram altíssimos, a equipe de organização veio de fora do Recife... É, espero que tenha sido a chuva mesmo!
Aos que se atreveram a continuar no Recife Antigo e enfrentaram a chuva torrencial e assitiram ao show de Dj Dolores e Gogol Bordello (Ucrânia) – banda multietinica que mistura um punk folk cigano, e ficou no lugar de Afrika Bambaataa após o cancelamento de seus shows pelo Brasil. Aproveitando a passagem de Eugene Hütz pelo carnaval Multicultural, a produção do Rec Beat o incluiu dentro do festival e a noite do sábado ficou marcada por tanto swingue indefinido (embora muito mais teatral e um dj soltando o som) e mais uma vez chuva, muita chuva!
No domingo a chuva deu uma trégua e logo às 4hrs da tarde, o palco do Rec Beat estava lotado de gente para ver o Quanta Ladeira. Sem muito compromisso, Lula Queiroga, sua trupe e uma boa quantidade de convidados (só esse ano entre prévia e apresentação, passou Caetano Veloso, Moska, Junio Barreto, Otto, Pitty, Nelson Motta...) se unem e colocam o verbo (ou os palavrões) pra fora enre paródias bem elaboradas, dos principais acontecimentos que se tornaram manchetes em todo Brasil e mundo a fora, transformando em hino por durante um bom tempo. O “Quanta is Over?”, acho que não!
Há um bom tempo atrás, o domingo de Carnaval é marcado pelas melhores programações. Tanto no palco principal do Marco Zero como o palco Mangue do Rec Beat. E esse ano não foi diferente.
No Marco Zero teve Mundo Livre S/A com sua galera e Manu Chao (que na segunda-feira apresentaria num dos pólos descentralizados seu novo show completo – La Radiolina) mostrando que a arte de mexer vem desde do tempo da pedra lascada. Logo depois teve o show de Lenine. Seguindo em turnê com seu novo show, Labiata, ele mostrou aos foliões uma pegada mais rock’n’roll - praireira e os convidou a serem a participação especial do show, afirmando que sempre trás participações especiais de grandes nomes, mas que este ano ao completar 50 anos no último dia 2 de fevereiro, resolveu nos contemplar com esse presente colocando grandes sucessos no seu setlist. Ao mesmo tempo que rolava o show de Lenine no Marco Zero, o Rec Beat já tinha recebido o Vitor Araújo e estava em palco a Eddie e seu Carnaval no Inferno. Embora com mais de 15 anos de vida, a Eddie é uma banda que vem alcançando seus espaços agora entre Recife-Olinda a fora. Tendo Fábio Trummer como um grande letrista, a banda evolui a cada apresentação e faz com que o público se tornem parte da banda por serem tão envolventes suas apresentações. Todos que assistiram ao show, com certeza sambaram como nunca tinham sambado!
Mas ainda tinha o esperado show da Nação Zumbi junto a Siba e a Fuloresta. O último show da noite do palco principal, levou todos ao som das alfaias e riffs de uma banda que carrega de fato toda a escência que saiu da lama para a fama e hoje está aí independente e mais autentico.
Além das obras de Cícero Dias (outro homenagiado do Carnaval Multicultural 2009) que davam cores e formas nas ruas do Recife Antigo, a chuva foi a principal ornamentação do ínicio da noite. Ainda bem que nenhum show chegou a ser cancelado (embora no polo da Várzea com Silvério e Lenine) e em torno das 22hrs, no palco do Rec Beat, Silvia Machete e toda sua ‘carioquisse’ encantavam aos poucos animados que enfrentaram o caos da chuva. Como se esperava, ela mostrou a todos sua irreverencia própria, canções meio bossa nova e rock’n’roll e uma presença de palco pra lá da Big Apple.
Um samba meu, seu, nosso. A segunda-feira foi embalada pelo samba e em torno das 3hrs da manhã, Maria Rita sobe ao palco do Marco Zero. Um público enorme a espera de sua simpatia tímida, suavidade charmosa e toda malemolência de uma artista que com certeza é completa. Apresentando um dos melhores shows do carnaval, Maria Rita anestesiou todos os corações apaixonados e embalou todos os sujeitos que gostam de samba.
“Amahã tudo volta ao normal. Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar...” Isso mesmo! A terça-feira chegou tão rápida, entre shows e clima de descontração, que a vontade de todo folião era aproveitar ao máximo o último dia de folia.
Logo cedo, aconteceu uma sequencia de shows muito bons no Pátio de São Pedro: Eddie, Academia da Berlinda e China com participação de Nina Becker, Marina de La Riva e Zé Cafofinho. Foi simplesmente “completo”. Todos que estavam lá eram de fato apreciadores dos artistas, tornando o ambiente mágico e único. Eddie entrou no palco primeiro e desequilibrou a todos fazendo até, um cover de Nantes – Beirut. A Academia da Berlinda tocou tão introsado com seus “pintinhos de saia” que merecia mais horas de baila, baila. China mais uma vez mostrou que é a jóia mais preciosa de todas. Com uma apresentação forte, ele entrou de Cupido e trouxe o amor de Nina Becker e os ojos malignos de Marina de La Riva, fazendo uma mini confraria das sedutoras.
Do Pátio de São Pedro direto para as ruas do Rec Beat, a noite era de 10 anos de Cordel do Fogo Encantado. O calor da multidão que recebia a banda, era acolhedor. Lirinha entrou no palco colocando o sentimento de todos para fora, fazendo do ritmo do corpo o mesmo de suas percussões e chamou Canibal (Devotos) ao palco para divir uma música com todo um valor histórico, A Matadeira. O show foi completo de harmonia da banda com o público e terminou com pandeiro e alfaia pelos ares.
Mas ainda tinha a Apoteose, os fogos de artificio colorindo o céu, todos os artistas que passaram pelos palcos de multi-cor-cultura-som reunidos numa só voz. O Marco Zero realmente deixou o dia raiar!

É de fazer chorar e todos os voos acabam. De canto a canto Pernambuco se enfeitou, canções foram cantadas e transformadas em hinos, os foliões se misturaram mostrando que não há diferença na diversão. Agora todos desatinaram e mais um ano começa.
Carnaval agora, só no ano que vem.