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domingo, 22 de agosto de 2010

Música tropical de humor universal

O novo disco de Silvia Machete, Extravaganza, lançado recentemente pelo selo Coqueiro Verde Records, poderia ter uma sequência nominal parecida com o primeiro, “Bomb of Love – Música Safada para Corações Românticos” (2006). Como assim? Explico: Poderia ser “Extravaganza – Música Sofisticada para Pessoas de Bom Humor”.
Nelson Motta uma vez a definiu como “sexy e hilária”. Mas os adjetivos para essa alma feminina vão além desses dois. Ela é performática e caricata por essência, criativa e inteligente por razão, elegante e envolvente por ser simplesmente mulher. Todas essas qualidades se encontram em uma cantora que não precisa de definições de gênero e que já está inclusa, e muito bem inclusa, na nova geração de cantoras brasileiras contemporâneas de qualidade.
Nesses quatro anos de um disco para o outro, o passarinho da Silvia Machete bateu asas e alcançou vôos altos, literalmente visto na belíssima capa floral, charmosa e secreta. Extravaganza é um disco de latinidade refinada para um país de poucas sonoridades multiculturais, provocativo sem ser careta e circense sem ser over.
“Yes, nós temos bananas!”. E assim, nessa efervescência, o disco abre com o paraíso tropical composto por Itamar Assumpção, em “Noite Torta”. Passando por uma marchinha “roqueada” em “Vou pra Rua” até uma folia irreverente e jazzística em “Meu Carnaval”, Silvia mostra sua voz doce, afirmando sua potência como compositora. As parcerias, entre tantas, conta com a presença de Erasmo Carlos, numa balada romântica para gente aberta em “Feminino Frágil. A canção composta com o Tremedão, visto pela segunda vez com a Silvia (ela regravou “Gente Aberta” no primeiro disco), dialoga com “Mulher (Sexo Frágil)”, sucesso do Erasmo na fase pós-Jovem Guarda. A melodia inocente e meiga de “Sábado e Domingo”, afirma o encontro das sensações engraçadas e sentimentos verdadeiros. Já em “Manjar de Reis”, Silvia se encontra num Jorge Mauter dançante e ambíguo, quando se é pedido: “Quero a tua nudez/ Da cabeça aos pés/ Quero que sem timidez/ Tu chupes picolés”.
“Tropical Extravaganza”, música que inspirou o título do disco, tem um tom de “somos las muchachas de Copacabana”, representando perfeitamente a energia e particularidade de toda essa mistura sonora e tropical estravagante do disco. “A Cigarra”, melodia em homenagem à grande Mercedes Sosa, é uma volta por cima de uma “mulher guerreira” com um humor fantasioso, assim como em “O Baixo”, de imaginação infantil e sacana. O pomar e a flora colorida do Brasil, também estão presentes no hulla-hulla de “Underneath the Mango Tree”. A imagem feminina é tema, mais uma vez, na penúltima faixa do disco, “Fim de Festa”, remetendo um pouco ao título e contexto de “Toda Bêbada Canta”, canção clássica do primeiro disco de Silvia Machete. Por fim, o arranjo mais forte de Extravaganza, “Coração Valente” fecha o disco seguindo a mesma temática humorada, marcante, femme fatale e brasileira desta cantora que se afirma em um picadeiro carnavalesco e sensual de sua carreira e obra.
Extravaganza é um disco para ouvir, dançar, sorrir e soltar as garras femininas. É um trabalho sonoro que brinca com a cultura brasileira de forma inteligente e delicada, e que com certeza, será consagrado nos palcos por onde a Silvia Machete passar, levando esse circo cheio de surpresas, ilusões e diversões super refinadas.  E assim concluo (re)afirmando: “Extravaganza – Música Sofisticada para Pessoas de Bom Humor”.


*Foto - Crédito: Caroline Bittencourt

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Salve o Carnaval e a Torcida


“Eu Vi o Recife nas Asas da Madrugada.” E assim foi mais um Carnaval, mais uma quarta-feira ingrata se aproximou, dando termino à toda anarquia carnal. Festividade esperada durante todo o decorrer do ano por todo brasileiro e se tratando de um bom pernambucano, toda brincadeira termina em frevo, ciranda e maracatu.
A cidade treme desde dezembro. Prévias, blocos de rua, encontros de troças, fantasias saindo dos baús, confetes e serpentinas colorindo com alegria as almas perfumadas. Esse é o Carnaval de múltiplos adjetivos de Recife e que todo mês de fevereiro se encontra de braços abertos ao folião.
Neste ano um ritmo diferente dominou todos os pólos, pontes e ladeiras: a chuva! Ela veio com tudo para lavar as almas, esquentar os pensamentos ruins, e animar ou entristecer aqueles que ficaram amedrontados com a ornamentação do céu (diga-se de passagem os trovões e relâmpagos).
A abertura do Carnaval na sexta-feira foi encantadora. Naná Vasconcelos e as nações de maracatu, abriram a noite com a jovialidade erudita de Vitor Araújo e a eterna modernidade de Caetano Veloso. Sem lenço e sem documento, frevos de bloco se misturaram a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e logo depois o palco foi completado por Miucha com seu sorriso aconchegante. Mas o que fechou a noite e voou entre as cores das asas da nova américa, foi o projeto liderado por Ortinho, a Nave do Frevo, que junto a artistas como Lula Queiroga, Junio Barreto, Fábio Trummer, China, Silvério, Fred 04, Mônica Feijó e Isaar, transformaram as canções do homenageado Carlos Fernando em um tempo folião. Com uma releitura dos clássicos do “Asas da América”, eles apresentaram ao público o frevo que pode sim, ser ouvido e sentido de outra maneira além dos dias de do reinado de Momo, transformando o universo com o sopro da melodia mas característica e verdadeira de Pernambuco.
O sábado de Zé Pereira foi repleto de chuva e fez com que a estrutura e o som do palco principal do Marco Zero fosse abalada, chegado ao chegado ao cancelamento das apresentações de Elba Ramalho, Silvério com Fernanda Abreu e Antônio Carlos Nóbrega. Porém, a nova data para esses shows já foi remarcada (dia 13 de março, representando as festividades do aniversário de Olinda e Recife, no mesmo palco do Marco Zero).
Mas fica uma pergunta no ar: Será que realmente o tempo que foi o causador do desastre ou o projeto de palco não foi bem planejado? Os gastos da construção foram altíssimos, a equipe de organização veio de fora do Recife... É, espero que tenha sido a chuva mesmo!
Aos que se atreveram a continuar no Recife Antigo e enfrentaram a chuva torrencial e assitiram ao show de Dj Dolores e Gogol Bordello (Ucrânia) – banda multietinica que mistura um punk folk cigano, e ficou no lugar de Afrika Bambaataa após o cancelamento de seus shows pelo Brasil. Aproveitando a passagem de Eugene Hütz pelo carnaval Multicultural, a produção do Rec Beat o incluiu dentro do festival e a noite do sábado ficou marcada por tanto swingue indefinido (embora muito mais teatral e um dj soltando o som) e mais uma vez chuva, muita chuva!
No domingo a chuva deu uma trégua e logo às 4hrs da tarde, o palco do Rec Beat estava lotado de gente para ver o Quanta Ladeira. Sem muito compromisso, Lula Queiroga, sua trupe e uma boa quantidade de convidados (só esse ano entre prévia e apresentação, passou Caetano Veloso, Moska, Junio Barreto, Otto, Pitty, Nelson Motta...) se unem e colocam o verbo (ou os palavrões) pra fora enre paródias bem elaboradas, dos principais acontecimentos que se tornaram manchetes em todo Brasil e mundo a fora, transformando em hino por durante um bom tempo. O “Quanta is Over?”, acho que não!
Há um bom tempo atrás, o domingo de Carnaval é marcado pelas melhores programações. Tanto no palco principal do Marco Zero como o palco Mangue do Rec Beat. E esse ano não foi diferente.
No Marco Zero teve Mundo Livre S/A com sua galera e Manu Chao (que na segunda-feira apresentaria num dos pólos descentralizados seu novo show completo – La Radiolina) mostrando que a arte de mexer vem desde do tempo da pedra lascada. Logo depois teve o show de Lenine. Seguindo em turnê com seu novo show, Labiata, ele mostrou aos foliões uma pegada mais rock’n’roll - praireira e os convidou a serem a participação especial do show, afirmando que sempre trás participações especiais de grandes nomes, mas que este ano ao completar 50 anos no último dia 2 de fevereiro, resolveu nos contemplar com esse presente colocando grandes sucessos no seu setlist. Ao mesmo tempo que rolava o show de Lenine no Marco Zero, o Rec Beat já tinha recebido o Vitor Araújo e estava em palco a Eddie e seu Carnaval no Inferno. Embora com mais de 15 anos de vida, a Eddie é uma banda que vem alcançando seus espaços agora entre Recife-Olinda a fora. Tendo Fábio Trummer como um grande letrista, a banda evolui a cada apresentação e faz com que o público se tornem parte da banda por serem tão envolventes suas apresentações. Todos que assistiram ao show, com certeza sambaram como nunca tinham sambado!
Mas ainda tinha o esperado show da Nação Zumbi junto a Siba e a Fuloresta. O último show da noite do palco principal, levou todos ao som das alfaias e riffs de uma banda que carrega de fato toda a escência que saiu da lama para a fama e hoje está aí independente e mais autentico.
Além das obras de Cícero Dias (outro homenagiado do Carnaval Multicultural 2009) que davam cores e formas nas ruas do Recife Antigo, a chuva foi a principal ornamentação do ínicio da noite. Ainda bem que nenhum show chegou a ser cancelado (embora no polo da Várzea com Silvério e Lenine) e em torno das 22hrs, no palco do Rec Beat, Silvia Machete e toda sua ‘carioquisse’ encantavam aos poucos animados que enfrentaram o caos da chuva. Como se esperava, ela mostrou a todos sua irreverencia própria, canções meio bossa nova e rock’n’roll e uma presença de palco pra lá da Big Apple.
Um samba meu, seu, nosso. A segunda-feira foi embalada pelo samba e em torno das 3hrs da manhã, Maria Rita sobe ao palco do Marco Zero. Um público enorme a espera de sua simpatia tímida, suavidade charmosa e toda malemolência de uma artista que com certeza é completa. Apresentando um dos melhores shows do carnaval, Maria Rita anestesiou todos os corações apaixonados e embalou todos os sujeitos que gostam de samba.
“Amahã tudo volta ao normal. Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar...” Isso mesmo! A terça-feira chegou tão rápida, entre shows e clima de descontração, que a vontade de todo folião era aproveitar ao máximo o último dia de folia.
Logo cedo, aconteceu uma sequencia de shows muito bons no Pátio de São Pedro: Eddie, Academia da Berlinda e China com participação de Nina Becker, Marina de La Riva e Zé Cafofinho. Foi simplesmente “completo”. Todos que estavam lá eram de fato apreciadores dos artistas, tornando o ambiente mágico e único. Eddie entrou no palco primeiro e desequilibrou a todos fazendo até, um cover de Nantes – Beirut. A Academia da Berlinda tocou tão introsado com seus “pintinhos de saia” que merecia mais horas de baila, baila. China mais uma vez mostrou que é a jóia mais preciosa de todas. Com uma apresentação forte, ele entrou de Cupido e trouxe o amor de Nina Becker e os ojos malignos de Marina de La Riva, fazendo uma mini confraria das sedutoras.
Do Pátio de São Pedro direto para as ruas do Rec Beat, a noite era de 10 anos de Cordel do Fogo Encantado. O calor da multidão que recebia a banda, era acolhedor. Lirinha entrou no palco colocando o sentimento de todos para fora, fazendo do ritmo do corpo o mesmo de suas percussões e chamou Canibal (Devotos) ao palco para divir uma música com todo um valor histórico, A Matadeira. O show foi completo de harmonia da banda com o público e terminou com pandeiro e alfaia pelos ares.
Mas ainda tinha a Apoteose, os fogos de artificio colorindo o céu, todos os artistas que passaram pelos palcos de multi-cor-cultura-som reunidos numa só voz. O Marco Zero realmente deixou o dia raiar!

É de fazer chorar e todos os voos acabam. De canto a canto Pernambuco se enfeitou, canções foram cantadas e transformadas em hinos, os foliões se misturaram mostrando que não há diferença na diversão. Agora todos desatinaram e mais um ano começa.
Carnaval agora, só no ano que vem.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Música, Circo e Silvia Machete


A programação do RecBeat saiu e dentre tantos nomes que vão cantar no palco da janela pro mundo, Silvia Machete é uma das novidades do festival, e se apresenta na segunda-feira (22) no RecBeat, às 23hrs e na terça-feira (23), em participação no show de Fênix às 22hrs, no do Pátio de São Pedro.

Ao falar de uma artista completa, a Silvia pode ser incluída. Ela dança, canta, sapateia, faz de tudo um pouco.
Nascida no Rio de Janeiro, trocou todos os ares tropicais do Brasil para viver em Nova Iorque. Lá na Big Apple, junto aos seus 20 bambolês e o violão, ganhou o picadeiro à fora pendurada num trapézio, fazendo malabarismos e palhaçadas. Isso mesmo, as raízes dela vêm do circo, onde já rodou cerca de 30 países comendo banana e divertido a platéia.
Com todo esse universo circense de suas apresentações, Silvia Machete é dona de uma malemolência agradável e uma voz suave que se mistura com todos os humores de suas canções. Um toque novo de samba e bossa nova, rock-pop e bolero, ela é super contemporânea e uma das grandes revelações femininas (junto a Céu, Marina de La Riva, Nina Becker, Roberta Sá...) da classe moderna da MPB.
Em 2006, foi lançado o cd “Bomb of Love – Música Safada para Corações Românticos”. Nele, Silvia mistura canções próprias (2 hot 2 b romantic) e releituras divertidas de Roberto e Erasmo (Gente Aberta), Sergio Sampaio (Foi Ela) e Guns & Roses (Sweet Child of Mine). Sem falar no time de músicos que foi escolhido para esta bomba de amor: Nelson Jacobina (guitarra), Domenico Lancellotti (bateria), Stephane San Juan (percussão), Rodrigo Bartolo (baixo), Rubinho Jacobina (teclados) e Tiago Schardong (trompete). Em 2008, foi lançado o DVD “Eu não sou nenhuma Santa”, onde o público pode de fato, apreciar toda a irreverência de seu talento contagiante.
Além dessa parte “cantora completa”, Silvia Machete também se divide entre o grupo Doces Cariocas. Um grupo de amigos compositores que se juntaram para mostrar que não é só antigamente que se fazia música de qualidade, novas e bárbaras, num lançamento pra lá de sensível e verdadeiro. Mas quanto aos Doces Cariocas, eu me prolongo em outro momento.
Agora é esperar a magia da Silvia nos palcos do Carnaval Multicultural 2009. Enquanto o dia não chega, apresento um pouco mais dela a vocês:

Myspace: http://www.myspace.com/silviamachete
Site: http://www.silviamachete.com/
Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=4zeIkgZOSkk

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

RecBeat 2009: Uma Janela para a Música do Mundo


Saiu a grade de programação completa do 14° ano de RecBeat. A proposta do festival que sempre foi incluso na programação do Carnaval Multicultural, é ligar ritmos e estilos com a música latino-americana e com uma nova cena musical que está prestes a ser descoberta pelo público brasileiro. Dos dias 21 a 24 de fevereiro, no Cais da Alfândega, têm um leque de opções para os shows. Digo que na minha opinião, deixou a desejar. Mas vamos curtir de toda forma!
Além do mais, a conexão Recife - São Paulo que vai rolar uma edição especial: RecBeat.SP. Dos dias 26 a 28 de fevereiro, no SESC Pompéia, shows dos latino-americanos Desorden Publico, Bomba Estereo e Original Hamster para dividir as noites de shows com revelações e novos nomes da cena pernambucana: Catarina Dee Jah, DJ Dolores e Júlia Says.

Programação RecBeat:

21.02 SÁBADO

20h - CATARINA DEE JAH PE
21h - CAMARONES ORQUESTRA GUITARRISTICA RN
22h - ORIGINAL HAMSTER CHILE
23h - DJ DOLORES E BANDA PE
24h - AFRIKA BAMBAATAA EUA

22.02 DOMINGO

20h - RIVER RAID PE
21h - CLAY ROSS EUA
22h - VITOR ARAUJO TRIO PE
23h - WYSA ANGOLA
24h - EDDIE PE

23.02 SEGUNDA

17h - RECBITINHO - DIXIE SQUARE BAND
20h - JOÃO DO MORRO PE
21h - NUAGES EQUADOR
22h - SKA MARIA PASTORA PE
23h - SILVIA MACHETE RJ
00h - DESORDEN PUBLICO VENEZUELA

24.02 TERÇA

20h - BURRO MORTO PB
21h - JUNIO BARRETO PE
22h - GIOVANNA URUGUAI
23h - BOMBA ESTEREO COLÔMBIA
00h - CORDEL DO FOGO ENCANTADO PE