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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Só um trechinho

Hoje de manhã saiu a programação do No Ar: Coquetel Molotov 2010. O festival vai acontecer durante todo o mês de setembro, com shows gratuitos no Pátio de São Pedro, seminários, oficinas e debates. Nos dias 24 e 25 do mesmo mês, o NACM trás para o Teatro UFPE: Soko, Otto, Voyeur, Taxi Taxi!, A Banda de Joseph Tourton, Eemicida, Do Amor, Dinosaur Jr e mais pupilinhos que vão agradar o público “indie” do Recife. Mais informações sobre o festival e a programação completa no blog oficial: http://www.coquetelmolotov.com.br/blog/



Mudanças no show de Los Hermanos! Lugar, valor, produtora e tudo mais. O show agora vai ser no Pavilhão do Centro de Convenções, a produção fica por conta da D&E Entretenimento, que também faz o Ceará Music. Os ingressos começam a serem vendidos amanhã, no Centro de Convenções ou no site do Ingresso Rápido, nos valores de: R$60,00 (inteira) R$30,00 (meia) R$70,00 (camarote mezanino). 
Informando que: Cada pessoa só pode comprar quartro ingressos e tem de apresentar carteira de estudante no ato da compra.
Preparado pra odisséia da fila do ingresso? Então vá, porque na nossa contagem regressiva faltam 57 dias!!




Encerrando a turnê do último disco lançado, A Arte de Fazer Barulho, Marcelo D2 agora colhe os frutos do próximo projeto. “Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva”, produzido por Leandro Sapuchay, tem pérolas do Bezerra (1927 – 2005) como Defundo Caguete, Candidato Caô Caô, Overdose de Cocada, Malandro É Malandro, Mané É Mané e muito mais. A capa do disco também entra totalmente no clima de homenagem e reproduz o disco “Eu Não Sou Santo” (1990) no estilo samba e hip-hop do D2.



Cada dia que passa as crianças estão mais espertas e exigindo do bom e do melhor. E se você acha que as músicas que elas gostam são só no estilo Xuxa, Patati-Patatá e trilhas de desenhos animados, estão enganados! Adriana Partimpim já está no segundo volume e é uma delícia de obra. Outros que eu indico muito, não só pra criançada mas pros adultos de boa audição, são o Pequeno Cidadão, do Arnaldo Antunes e do Edgar Scandurra e o mais novo do Pato Fu, Música de Brinquedo.
E por falar em Pato Fu, eles chegam com esse novo universo no Recife, dia 10 de setembro, no Teatro da UFPE.

Um dos maiores gênios da MPB se chama Jorge Mautner. Poeta, compositor, dramaturgo e criador da Teoria do Kaos, Jorge transcende. Sua música é entoada por diversos cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Science e Nação Zumbi. Muitos jovens que não conhecem a real importância desse mestre na história musical brasileira, agora podem ver suas obras nas vozes de Otto, Ana Cañas, Nina Becker... E por falar em Nina Becker, ela acaba de lançar dois discos que variam entre tons de “Azul” e “Vermelho” e em ambos, com regravações de clássicos do Jorge como Samba-Jambo e Lágrimas Negras

domingo, 27 de junho de 2010

O Maior Baião do Mundo em Caruaru

O último dia 23 de junho foi marcado por um encontro histórico entre o novo e o velho. Caruaru, interior de Pernambuco e capital do forró, sediou o Maior Baião do Mundo. Um tributo ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga e a Humberto Teixeira e Zé Dantas, parceiros do Rei, com estrelas do cenário musical do Brasil.
Inicialmente, São Paulo foi o primeiro local a apresentar esse show ao público, com dois dias de casa lotada no SESC Pompéia. Sucesso absoluto e garantido!
O baião foi o primeiro movimento cultural de massa, que mistura elementos do rural e do urbano. Luiz Gonzaga fez com que a música nordestina - que até então era apenas folclore, de feiras e cantadores - se tornasse um nível de cultura popular, não industrializada, tal qual João Gilberto fez com a bossa nova. A importância do baião é enorme para a construção histórica e valorização da música brasileira. Posteriormente, o ritmo ainda influenciou o Tropicalismo de Gil e Caetano e o rock’n’roll de Raul Seixas.
Esse tributo, idealizado por Ortinho, surgiu após a exibição do documentário O Homem que Engarrafava Nuvens, dirigido por Lírio Ferreira, que relata a vida de Humberto Teixeira e conseqüentemente a história da trajetória do baião.
O show ocorreu com o melhor astral que se poderia ter, tanto pela banda, convidados e todo o público que prestigiou. Após a meia noite, um show de fogos de artifício tomou conta do céu enluarado e deu início ao novo ciclo do ano. No interior nordestino, os festejos juninos são sagrados e comemorados com todo fervor.
A banda, formada por Luiz Chagas (guitarra), Paulo Lepetit (baixo), Guilherme Kastrup (bateria), Marcelo Monteiro (sopros), Mestre Nico e Elder O Rocha (percussão) e Magoo (sanfona) deram uma classe contemporânea ao tradicional baião, que ainda contou com Vange Milliet e Rita Maria no backing vocal.
Os artistas convidados, de vozes, estilos e gêneros distintos, tiveram um encontro de almas com o baião nessa noite. O repertório escolhido teve sucessos conhecidos por todos e músicas menos populares, completando o brilho do projeto.
O show começou com Asa Branca em instrumental e teve a presença de Zé da Flauta. A expectativa no backstage era muito grande. Após uma longa viagem de Recife à Caruaru por conta do transito, os artistas estavam com uma energia acumulada para entrar no palco. De trás, a visão do mar de gente que estava no pátio do forró, estimado em 150.000 pessoas, era contagiante. Além de idealizador do tributo, Ortinho era a peça chave para o desenvolver do show. Seguro do que estava fazendo – e bem feito, ele também se tornou o “mestre de cerimônia”.
Almério e Fô, novos cantores da cena local de Caruaru, foram os primeiros a subir ao palco. Luiza Possi era só alegria dentro e fora, e cantou com uma leveza enorme Sabiá e Xote das Meninas, levando o público ao delírio. Junio Barreto, também caruaruense, mostrou que A Feira de Caruaru dá gosto de ver e tem de tudo que há no mundo. Elza Soares confirmou que realmente é uma artista completa e que o tempo caminha lado a lado ao crescimento. Com um problema no tornozelo que a impossibilitou de cantar as duas canções em pé, animou o público como ninguém. Vem Morena e Vida de Viajante, se encaixaram direitinho com a voz da Elza. Em um só coro que foi de arrepiar: Chuva e sol, poeira e carvão / Longe de casa, sigo o roteiro mais uma estação / E a alegria no coração”.
Já Zélia Duncan representou uma das composições mais linda de Gonzagão, Qui Nem Jiló. Paulinho Moska foi o responsável pela música homônima do ritmo, Baião. Moska deu sua versão doce e suave para esse clássico, ficando mais encantador. Mariana Aydar, criada com o forró, ganhou todos os meus créditos ainda fora do palco. Cantora da nova classe artistica brasileira, ela é autêntica e de forte expressão. Com um triângulo na mão, ela cantou lindamente Dança da Moda e Ovo de Codorna.
Arnaldo Antunes apareceu no show de Caruaru de última hora, no fim dos acertos de pré-produção. A princípio, ele só participaria das apresentações em São Paulo por conta de agenda. Mas a presença dele foi fundamental para o conjunto do Maior Baião do Mundo e cantou Xanduxinha com toda presença de palco que ele tem. Depois de todos os convidados, foi a vez de Ortinho entrar no palco e cantar para sua cidade natal Orélia, Chá de Cutuba, País de Caruaru e O Fole Roncou.
Ortinho estava realizado e conseguiu levar ao interior o melhor da atual MPB. Muitos acharam o tributo um pouco audacioso para o local que sempre abriga o forró-eletrizado e mercadológico. Mas posso garantir que foi um encontro rico, que trouxe para os tempos de hoje, uma musica de qualidade e propôs um baião atual, sem desentoar do tradicional. Luiz Gonzaga, desde dos primórdios, foi revolucionário com o baião e o levou do interior do Nordeste brasileiro para o mundo. Nada mais justo continuar com essa atitude e inovar cada vez mais, mas sem sair do real contexto.
Como bons pernambucanos e suas manias de grandiosidade, O Maior Baião do Mundo foi o maior encontro do clássico com o moderno, do agreste com a capital, no Maior São João do Mundo, que é em Caruaru.