terça-feira, 1 de junho de 2010

Fugindo da realidade.

MTV – 23:30 – Lobotomia: Lobão entrevista Otto.

O assunto aqui não se diz respeito da MTV nem de Lobão e sim, de Otto. Não exatamente dele, mas sobre um momento da entrevista que me assustou: Otto mudou a letra da música Crua só para ela participar da novela das 8, Passione, da Rede Globo?
Há exatos 15 dias atrás, a novela entrou no ar. Logo no primeiro capitulo, nas cenas de apresentação dos personagens, tomei um susto ao ouvir aquela introdução orquestrada de uma música que me era super familiar. Primeiramente, estranhei. Tentei ouvir direitinho entre cenas de Cauã Reymond andando de bicicleta por São Paulo e o som da música e seus acordes cheios de cordas. Sim, aquilo era Crua, de Otto, música que se tornou um mantra na vida de muitos. Corri pro Twitter e confirmei com vários usuários: Otto na novela das 8! Poxa, que coisa que massa, o slogan de "Pernambuco falando para o mundo" realmente continua. Mas logo depois pensei: "Tenho certeza que serão somente os 45 segundos iniciais da música. Só a Globo mesmo pra colocar o “fodia de noite e de dia” tão intranqüilo e verdadeiro do Galego.”
A novela está passando e eu estou passando longe dela. Hoje, 15 dias depois, assisto essa entrevista na MTV e confirmo o que pensei semanas antes: “o fodia de noite e de dia” não ia mesmo passar na novela. De acordo com a colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, a pedido do diretor musical da emissora, Mariozinho Rocha, o cantor teve de mudar o “fodia” por “fugia”.
Vamos ler a letra da música original e a que está sendo veiculada na novela:

Crua – Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos

E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia. fodia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia de noite e de dia.”

Crua – Passione

“E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fugia. fugia.
Mas naquela noite que eu chamei você fugia de noite e de dia.”

Voltamos pra década de 60. Ditadura Militar, época do Tropicalismo e dos Festivais da Música Popular Brasileira. Compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Chico Buarque e tantos outros, tinham de ter suas músicas revistadas por membros da censura para poderem cantar suas músicas. Hoje estamos em outro século. A política não é a das melhores, a época musical está crescendo com “a parte que te cabe neste latifúndio” e encontramos a mesma censura e a falta de liberdade de expressão nas músicas. Os dominantes e os dominados. Até que ponto sua obra deve ser transformada para ser incluso e agradar o mercado?
Achei desnecessária essa mudança na música e a felicidade que eu tive foi toda embora. O artista é aquilo que faz e Otto é o Condon Black que canta e toca por aí sempre. Mas infelizmente o mercado de hoje vai mais além do que a simples forma de fazer arte e envolve dinheiro, status, reconhecimento e aceitação de massa.
Cada um sabe o que faz e da melhor forma que for pra si. Mas realmente, “há sempre um lado que pesa e outro lado que flutua” e pra você entrar na Rede Globo e no mercado consumidor, nêguinho, tu tem que saber flutuar nem como pena, e sim, como pássaro!

3 comentários:

Ananda Cavalcanti disse...

Amiga, eu entendo.. infelizmente, otto pra conseguir chegar as massas está tendo que se adaptar, pelo menos é só na letra, muita gente aí muda o estilo musical pra entrar no mercado e ganhar grana pesada. Deixa o galego ir comprar água que passarinho não bebe com a grana que ele vai ganhar agora.. pq agora (pode escrever) todo mundo vai escutar otto em casa, na rua, na rádio...

:*

laís sampaio disse...

sim, mas...continuo com a minha opinião. acho que ele não precisa disso :)
mas se ele quiser fugir comigo, eu vou. qualquer versão, to dentro. de noite e de dia.
hahahahaha

Hortência Veiga disse...

Minha linda, adorei o seu comentário..mas infelizmente é isso aí, é a lei dos poderosos(=dinheiro). Cheiro pra tu