segunda-feira, 7 de junho de 2010

Meus Bons Jovens

Há seis anos atrás o Brasil conheceu uma das melhores bandas que a cena musical independente de Pernambuco já teve e continua tendo, a Mombojó. O primeiro contato foi simples, através do site deles se fazia o download do Nadadenovo, com músicas de conforto para a alma e diversão para o corpo. Tudo moderno para um mundo de informação rápida. O site continua o mesmo, mas o disco é Amigo do Tempo e hoje, depois de várias mudanças, essa banda amadureceu, conquistou reconhecimento, atingiu um ponto alto de personalidade e são a prova de que em amizade, “é um por todos e todos por um”!
Antes, os meninos saiam da adolescência, ensaiavam na garagem da casa de Samuel ou ficavam de bobeira pelas ruas do Poço da Panela, em Casa Forte.  Agora, eles moram em São Paulo, produzem novas bandas (Felipe S. e Marcelo, a A Banda de Joseph Tourton; Chiquinho, Jr Black) e têm um estúdio em parceria com China e outros amigos bons, o Das Caverna, no Recife. E por falar no Recife, só voltam para fazer shows ou absorver um pouco das raízes e saudades.
O processo de transição da banda passou por muitas modificações. Desde da morte de O Rafa, em 2007, a saída de Marcelo Campello e até ao rompimento com a gravadora Trama. Entre o Homem-Espuma e o Amigo do Tempo, foram três longos anos de produção, (mais) independência e muito iê-iê-iê de turnês junto com a Del Rey. Os fãs ficaram loucos, pensando de tudo um pouco. O fato é que essa demora pode agora ser explicada em um único verso da música título do novo disco: “Almejo ser o amigo do tempo / Dar cabimento para o ócio é que eu não dou”.
O primeiro sinal de um novo disco, veio em meados de 2008, com o lançamento do DVD MTV Apresenta: Sintonizando Recife. Nele, a Mombojó dialogava com outras bandas questões que iam do mercado fonográfico ao reconhecimento das bandas independentes ou já consagradas. Além do mais, apresentaram o primeiro single que daria título ao disco futuro, Amigo do Tempo. As novidades não aconteciam só por aí. Durante os shows, a banda também testava as músicas com o público e sentia a recepção. O que não deixa a entender que tudo já estava pronto nesse tempo de pseudo-ócio.
O tempo é a junção de um passado - vivido ou não -, com um futuro presente. Para a Mombojó, esse tempo reinventou conhecimentos musicais em que o passado se encontra com o presente. Muitos acreditam que o Nadadenovo será sempre o marco da banda. Mas fazendo uma viagem há anos atrás e reconhecendo os caminhos que a vida trilhou, a mesma banda independente que disponibilizou sua música de graça na internet em 2004, de sonoridade que vai do rock passa pela bossa nova e termina em diversas programações eletrônicas, é a mesma que hoje, dia 07 de junho de 2010, lança o novo disco primeiramente na internet do que em CD (o lançamento será dia 19) e tem uma arquitetura musical inovadora e única ao mesmo tempo.
O disco não é totalmente orgânico e sim, muito mais universal do que os dois primeiros lançados. Das 11 faixas, seis compostas por Felipe S., Amigo do Tempo apresenta uma mistura pop de imagens audíveis e super dançantes, com letras simples mas de arranjos marcantes e intensos. O quinteto formado por Vicente/Samuel/Marcelo/Chiquinho/Felipe S., participa de todo o disco tocando de tudo um pouco. Quem é da bateria, passa pra guitarra; quem é do vocal toca escaleta; quem toca baixo vai pro vocal... Mas fora eles, um outro time de grandes músicos também entraram em campo, como Guizado, Pupillo - assinando também a produção do disco junto com Rodrigo Sanches, Evaldo Luna e a Mombojó -, Edson Gomes, Quéops Negão e por aí vai.
Um balanço equilibrado entre letra e música. Entre a União e a Saudade e Praia da Solidão, as canções falam de sentimento e de melancolia da forma leve que a banda sempre cantou. Em Antimonotonia e Passarinho Colorido, eletrizantes arranjos instrumentais se sobre saem, com sonoridades rica em cordas, trompetes, samples e cellos. Já em Papapa, uma trilha sonora de vídeo-game é criada: enquanto não for descongelada toda a neve daquele inverno passado, que não deixa o sol iluminar seu lar, você não ganha vida nem bônus solares de verão. Uma brincadeira que só a música de qualidade permite dar a sua imaginação.
Parceiro para todas as horas, o tempo anda lado a lado da Mombojó. E Casa Caiada afirma todo esse caminho certo de trilhas tortas: Penso no passado e já posso afirmar/ Casa Caiada não sou mais quem fui/ sinto perigo em qualquer lugar/ sinto muito mas não vou ficar”
Vida longa à Mombojó! Melhor banda, melhor show, melhores músicos e melhores entendedores de que só temos o tempo, quando damos espaço para o mesmo existir. 

2 comentários:

gabie raposo disse...

porque eu não sabia nem da existência desse blog?
vida longa à mombojó!
LINDO texto, laah, beijos.

Bleffe disse...

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